segunda-feira, 29 de outubro de 2012


VIDA DE ESTUDANTE NO ARQUIPÉLAGO DO BAILIQUE

Os estudantes da Escola Estadual Itamatatuba, sentem na pele o dever de estudar, buscando nas dificuldades dias melhores para suas vidas. A Escola possui cinco barcos para transportar seus alunos do Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio, assistidos pelo Sistema Modular de Ensino. Contudo, essa forma de transporte não oferece boas condições para que os mesmos queiram permanecer nas escolas, fazendo-os muitas vezes desistir dos estudos.

E a Escola não oferece condições dignas para que esses alunos estudem com vontade. A Escola não possui trapiche, mesmo porque a erosão já está quase tirando a própria Escola de sua posição construída, suas salas são muito quentes, sem mostrar duas salas chamadas de anexo que nem ventilador tem, imagine você permanecer neste ambiente às 2h da tarde. Muitas vezes não tem lanche para esses alunos e no dia que não tem lanche as aulas terminam mais cedo. Essa é a realidade de (quase) todas as escolas do interior.

A Escola possui esses computadores, há mais de ano que eles se encontram nesta sala mas não funcionam, há mais de um  ano que eles se encontram lá, eu repito. São cinco telas para uma CPU, sem energia para os mesmos funcionar. E os nossos alunos não sabem nada ou quase nada de informática. Isto é só um pouco das dificuldades que eles enfrentam para buscarem seus conhecimentos, como?
Leia o relato de uma aluna que luta para concluir pelo menos o Ensino Médio.

A NOSSA VIAGEM DE CASA PARA A ESCOLA É ASSIM
            Primeiro a gente pega um rabeta (pequena canoa com motor de popa) às 9h e fica na fábrica (fábrica de palmito) esperando o barco da Escola passar, às vezes chegamos cedo na Escola cerca de 11:30h ou meio dia para entrar somente 13:30h e sair 17:30h. Chegamos na fábrica por volta de 18:30h, depois esperamos a maré encher e quando cobre toda a praia, aí sim a gente pega de novo um rabeta e chega em casa por volta das 20h ou mais tarde, porque cada dia a maré vai enchendo cada vez mais tarde. Às vezes a gente sai de madrugada para ir para a fábrica, porque a maré seca tanto que não passa nem o rabeta. Quando a maré fica boa para ir para a escola, fica ruim para voltar para casa, aí a gente tem que andar na praia, e quando fica boa para voltar para casa, fica ruim para ir para escola. Sempre vai ser assim. Alguns alunos desistem de estudar por causa desse problema. A gente não pode fazer nada, então só nos resta aguentar.
“Para Deus todas as coisas são possíveis.”
Declaração de Adriana Ferreira, aluna do 1º ano do Ensino Médio


Fiz uma dessas viagens em um barco com alunos, essa é a viagem mais curta dos barqueiros como são chamados, saindo às 17h, para levar os alunos para suas casas, na ida passamos em um trecho quase seco, com a maré vasando (secando) e fomos deixando os alunos na praia (lama), um aqui outro ali, até deixarmos o último. Na volta, não passamos no mesmo trecho porque já estava seco, tivemos que passar por trás das prais, quase 30 min a mais, chegando à escola às 19h30.


terça-feira, 20 de março de 2012

O Olhar de Um professor Sobre as Tecnologias
O curso ensinando e aprendendo com as Tecnologias de Informação e Comunicação, visa proporcionar aos professores a aprendizagem de novos conhecimentos, possibilidades de reflexão sobre suas práticas pedagógicas, buscando (re)construir suas estratégias de ensinar os saberes da vida, aplicar esses saberes na resolução de problemas, enfim, entender os processos de aprendizagem dos educandos, através do domínio de seus conteúdos e de suas tecnologias. Ainda podemos refletir sobre “A sociedade da aprendizagem”, “Identidade do Professor”, “Mapa conceitual”, “Tecnologia na escola”, “mídias digitais”, “o papel do Professor” e “webquest”.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Viagem para Itamatatuba


Na viagem retorno de pagamento, de Macapá para Itamatatuba, no Barco “Pasco Nunes”, partindo de Macapá, no dia 05 de setembro, canal do Jandiá, às 21:30h, na qual já havia um problema no motor do mesmo, numa peça na bomba centrípeta, a qual é responsável pela refrigeração do motor, então, momento em momento, o barco parava, e às 02h da madruga do dia seguinte (mesma noite), o barco teve que ancorar na foz do rio Ipixuna Grande. Amanhecendo o dia, lá pelas 08:30h, o proprietário do barco foi até a vila e fez uma ligação para Macapá, solicitando um mecânico e pediu que avisasse a outro barco que iria sair às 09:00h da manhã de hoje (06/09/2011), para que pudesse apanhar as pessoas que estavam no barco Pasco Nunes e que os levassem para o Bailique, dessa forma todos se acalmaram, tomaram um cafezinho, papo vai, papo vem fomos jogar dominó (sd. Julio, e os professores Mário, José Carlos e eu, Raimundo), quando vimos uma voadeira com um mecânico, o qual já trouxe a peça boa e a trocou, e às 12:15h, o motor já estava funcionando e assim pudemos sair em direção ao Bailique.

Três senhoras se dispuseram fazer o almoço, na qual o proprietário do barco cedeu uma caixa de frango, mas como não havia panelas suficientes para cozinhá-las, foram feitos somente três frangos. Logo foi servido o almoço, e é lógico que muitas pessoas não comeram. Seguindo viagem em direção Itamatatuba, chegando às 15:15h.
Retornamos para casa, no dia 15 de setembro, com a tarefa cumprida no MÓDULO II, às 16:00h, no barco motor Rei Benedito, o mesmo é todo de “ferro”, o qual é o preferido dos professores e após 4:00h de viagem, o barco ancorou em um rio chamado de Pau Cavado, pois tivemos que esperar até meia noite para seguirmos viagem, pelo fato de a maré estar enchendo, que só assim poderíamos chegar em Macapá com a maré cheia e só assim o mesmo, aliás, todos os barcos que saem do Bailique, podem atracar no cais do Canal do Jandiá ou no Igarapé das Mulheres, o Rei Benedito atracou no Canal do Jandiá, isto exatamente às 4:30h da madrugada. Infelizmente em nossa cidade não temos um cais, um porto que as embarcações possam encostar quando a maré está baixa, ou seja, seca como falamos aqui.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Matemática: Uma abordagem na educação do campo

            Desde março de 2004, quando comecei minha caminhada pelo Sistema Organizacional Modular de Ensino - SOME, hoje chamado de Unidade de Ensino Médio Modular - UEMOD, venho colecionando experiências dentro de minha disciplina.
            Primeira localidade que fui designado a ministrar meu trabalho, foi o município de Oiapoque, desenvolvendo meu trabalho numa turma de 3º ano do Ensino Médio. Uma turma de poucos alunos, os quais tinham muita dificuldade no pensamento lógico matemático.

A Escola de Itamatatuba

          A Escola Estadual Itamatatuba (Itamatatuba é a primeira localidade
do Bailique), está localizada no Distrito de Bailique, cerca de 7 horas de Macapá, viajando no barco da linha (há vários barcos que fazem viagem para as comunidades do Bailique).
Partindo de Macapá no dia 15 de junho às 2 horas da madrugada e chegando em Itamatatuba às 9 horas da manhã, começamos carregando as bagagens para o alojamento distante do porto mais de 100 m, sabendo que o alojamento é dentro da Escola, o professor Aldo nos ajudou carregando nossas coisas (o mesmo já estava há quase um mês na localidade) e também ajudando na acomodação.
                A Escola de Itamatatuba, tem quatro salas de aula e um anexo com duas salas, este anexo é distante cerca de cinco minutos da Escola. É interessante que em Itamatatuba, por ser uma localidade distrito de Macapá, não existe Escola Municipal. Outro ponto muito importante dizer, no Itamatatuba não tem Igreja Católica, mas sim duas Igrejas da Assembléia de Deus, uma proxima ao anexo e outra do outro lado do rio, visto que um rio corta a comunidade, ou seja, passa por dentro da comunidade.
                    A Escola tem três barcos-escola, onde um deles depende da maré, ou seja, uma semana ele sai de seu destino três, quatro horas da madrugada e chega às vezes, nove, dez horas da manhã, outra sai nove, dez horas da manhã para a aula da tarde, a qual começa 13:30hs.