VIDA
DE ESTUDANTE NO ARQUIPÉLAGO DO BAILIQUE
Os
estudantes da Escola Estadual Itamatatuba, sentem na pele o dever de estudar,
buscando nas dificuldades dias melhores para suas vidas. A Escola possui cinco
barcos para transportar seus alunos do Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio,
assistidos pelo Sistema Modular de Ensino. Contudo, essa forma de transporte
não oferece boas condições para que os mesmos queiram permanecer nas escolas,
fazendo-os muitas vezes desistir dos estudos.
E a Escola não oferece
condições dignas para que esses alunos estudem com vontade. A Escola não possui
trapiche, mesmo porque a erosão já está quase tirando a própria Escola de sua
posição construída, suas salas são muito quentes, sem mostrar duas salas
chamadas de anexo que nem ventilador tem, imagine você permanecer neste ambiente
às 2h da tarde. Muitas vezes não tem lanche para esses alunos e no dia que não
tem lanche as aulas terminam mais cedo. Essa é a realidade de (quase) todas as
escolas do interior.
A Escola possui esses
computadores, há mais de ano que eles se encontram nesta sala mas não
funcionam, há mais de um ano que eles se
encontram lá, eu repito. São cinco telas para uma CPU, sem energia para os
mesmos funcionar. E os nossos alunos não sabem nada ou quase nada de
informática. Isto é só um pouco das dificuldades que eles enfrentam para buscarem
seus conhecimentos, como?
Leia o relato de uma
aluna que luta para concluir pelo menos o Ensino Médio.
A
NOSSA VIAGEM DE CASA PARA A ESCOLA É ASSIM
Primeiro a gente pega um rabeta (pequena canoa com motor
de popa) às 9h e fica na fábrica (fábrica de palmito) esperando o barco da
Escola passar, às vezes chegamos cedo na Escola cerca de 11:30h ou meio dia para
entrar somente 13:30h e sair 17:30h. Chegamos na fábrica por volta de 18:30h,
depois esperamos a maré encher e quando cobre toda a praia, aí sim a gente pega
de novo um rabeta e chega em casa por volta das 20h ou mais tarde, porque cada
dia a maré vai enchendo cada vez mais tarde. Às vezes a gente sai de madrugada
para ir para a fábrica, porque a maré seca tanto que não passa nem o rabeta.
Quando a maré fica boa para ir para a escola, fica ruim para voltar para casa,
aí a gente tem que andar na praia, e quando fica boa para voltar para casa,
fica ruim para ir para escola. Sempre vai ser assim. Alguns alunos desistem de
estudar por causa desse problema. A gente não pode fazer nada, então só nos
resta aguentar.
“Para Deus todas as
coisas são possíveis.”
Declaração de Adriana
Ferreira, aluna do 1º ano do Ensino Médio
Fiz uma dessas viagens em
um barco com alunos, essa é a viagem mais curta dos barqueiros como são
chamados, saindo às 17h, para levar os alunos para suas casas, na ida passamos em
um trecho quase seco, com a maré vasando (secando) e fomos deixando os alunos
na praia (lama), um aqui outro ali, até deixarmos o último. Na volta, não
passamos no mesmo trecho porque já estava seco, tivemos que passar por trás das prais, quase 30 min a mais, chegando à escola às 19h30.